Energia solar no comércio brasileiro dobra no 1º semestre
- Carlos Senna ESSolar
- 2 de set. de 2020
- 4 min de leitura
Recentemente, revelamos aqui no blog que, na contramão da crise, a produção de energia solar no Brasil cresceu 50% nos últimos seis meses. Também mostramos que muitas famílias, condomínios, empresas, profissionais liberais e produtores rurais vêm aderindo à matriz fotovoltaica para fugir do alto custo da energia elétrica no país e contribuir com a preservação do meio ambiente. Hoje queremos apresentar alguns dados sobre a energia solar no comércio.
De acordo com um levantamento publicado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a potência instalada de energia solar no comércio dobrou no 1º semestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019.
Em outras palavras, nos primeiros seis meses deste ano, a energia fotovoltaica em prédios comerciais, lojas e empresas atingiu 411 MW de potência. Isso significa uma alta de 106% frente aos 199 MW registrados entre janeiro e junho de 2019.
Consumidores residenciais e produtores rurais também investiram pesadamente na fonte solar. Mas a maior expansão se deu mesmo no setor comercial.
Ao obrigar empresas e famílias a cortarem drasticamente seus gastos, a crise acabou se revelando uma oportunidade para a energia limpa, mais barata e menos nociva ao planeta. “Mesmo em uma situação de incertezas, em que vários setores da economia estagnaram, o mercado de Geração Distribuída mostrou um aumento significativo em relação ao ano anterior”, destaca uma das vice-presidentes da Absolar, Bárbara Rubim.
Sudeste e Nordeste são os campeões
A pesquisa foi feita pelo Canal Solar com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Os resultados indicam que o Sudeste foi a região que apresentou a maior capacidade de potência instalada de energia solar em estabelecimentos comerciais, com 183 MW. Comparando com o primeiro semestre do ano anterior, que era de 68 MW, a potência quase triplicou.
Em segundo aparece o Nordeste, com 80 MW de potência (2019 - 34 MW). Em terceiro está o Sul, com 74 MW (2019 - 64 MW).
Se formos falar em produção por estados, o estudo aponta Minas Gerais com a maior potência instalada de energia fotovoltaica em áreas comerciais este ano, com 92 MW. É uma alta de 180% frente aos 33 MW de 2019. Em segundo aparece São Paulo, com 65 MW (2019 - 21 MW), e, em terceiro, o Rio Grande do Sul, com 53 MW (2019 - 30 MW).
Energia solar no comércio = vantagem competitiva
No caso específico dos empreendimentos comerciais, a economia se transforma em vantagem estratégica. Afinal, o controle de gastos é fundamental para reduzir o preço dos produtos, aumentar o lucro e tornar o negócio mais competitivo.
Então imaginem o tamanho desta conta num país como o Brasil. Afinal, nosso país tem uma das tarifas energéticas mais caras do mundo e de altas cargas tributárias, que fazem a conta de luz pesar ainda mais!
De empresas conhecidas a pequenos negócios locais, muitos empreendimentos têm optado pela matriz fotovoltaica. Por exemplo, o grupo Claro Brasil, formado pela junção das empresas Claro, Embratel e Net, montou em Minas Gerais um complexo de sistemas fotovoltaicos para abastecer suas unidades.
Já a Magazine Luiza anunciou recentemente a adesão de 214 lojas de sua rede à energia solar. Enquanto isso, Petrobras e Natura também incluíram a energia limpa em suas rotinas, para citar mais dois casos, entre os muitos existentes.
Outro exemplo é o imóvel que sedia o Mercado Livre, na divisa entre as cidades de São Paulo e Osasco. O local conta com a maior instalação de módulos fotovoltaicos no Brasil. Duas mil placas fotovoltaicas instaladas sobre 4.700 m² de telhado são capazes de produzir até 700 megawatts hora por ano, o equivalente ao consumo anual de 360 residências.
Em outras palavras, as instalações evitam a emissão de quase 100 toneladas de CO² anualmente, o equivalente a plantar 560 árvores por ano.
Como aderir também?
Vale lembrar que, para aderir à energia solar no comércio, não é necessário instalar no local de consumo um painel fotovoltaico daqueles que captam a luz do sol e a transformam em energia. A matriz solar fotovoltaica funciona de duas formas:
Com painéis solares instalados no local de consumo
Os painéis captam a luz e geram energia elétrica, por meio do efeito fotovoltaico. Esta eletricidade é levada ao inversor solar, responsável pela conversão do tipo de corrente, de contínua para alternada, e então a energia é distribuída para o local. A energia que é produzida pode ser utilizada em residências, empresa ou mesmo em propriedades rurais.
Com os parques solares remotos
Neste caso, a energia chega ao seu prédio pela rede de distribuição elétrica da EDP, prontinha para ser usada. Como resulado, sua produção não agride o planeta e o excedente pode ser comercializado, gerando lucro para o próprio consumidor.
Falamos recentemente aqui sobre como o sistema compartilhado de energia permite ao consumidor instalar seu sistema gerador em local diferente do local de consumo. Nosso Sun Invest é o primeiro parque de energia solar remota compartilhada do Espírito Santo. Com ele, você pode ter energia solar sem precisar instalar nada.
A energia solar produzida no Sun Invest chega diretamente ao seu endereço através da rede de distribuição elétrica da EDP. A manutenção também é toda feita na usina, em Linhares, região Norte do Estado.
Tendência global
Com a energia solar, também fica mais fácil prever o valor da conta no final do mês.
Graças à posição geográfica e clima privilegiados, o nosso país apresenta vocação natural para a geração de energia limpa. Atualmente, 60,4% da energia brasileira vem de fontes hidrelétricas, 8,7% é de fonte eólica, 8,4% da biomassa, 8,3% do gás natural, 5,1% dos derivados de petróleo e 2,0% do carvão.
A energia solar é a fonte de energia que mais cresce, seguindo a tendência global.


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